Na hora de comparar uma alocação com uma contratação direta, a planilha mais comum tem duas colunas: o valor mensal da alocação de um lado, o salário do profissional do outro. A comparação parece óbvia e está errada, porque coloca um custo total ao lado de um custo parcial.

O salário é só a parte mais visível. Encargos, benefícios, recrutamento, o tempo de vaga aberta, as horas do time em entrevistas, a rampa até a pessoa produzir e o risco de recomeçar tudo compõem o custo real. Este artigo mostra como montar a comparação certa sem depender de nenhum número pronto: você preenche com os seus.

A unidade certa: custo por mês de profissional produtivo

O que você quer comprar não é um contrato nem um registro na folha. É capacidade de entrega. Então a pergunta certa é: quanto custa, ao longo de um período, cada mês em que tenho alguém produzindo no nível esperado?

Essa unidade muda a conta de duas formas. Primeiro, meses sem ninguém na posição têm custo, mesmo que não gerem despesa de folha. Segundo, meses de rampa contam como capacidade parcial. Uma contratação que leva meses para ser feita e mais algumas semanas para render entrega menos meses produtivos no ano do que parece.

O que está dentro do valor de uma alocação

  • Remuneração e encargos do profissional, conforme o regime de contratação.
  • Recrutamento e seleção: busca, triagem técnica, entrevistas e validação.
  • Acompanhamento durante a alocação, com alguém do parceiro olhando aderência, clima e desempenho.
  • Reposição quando o profissional não se adapta ou sai, sem um novo processo seletivo do seu lado.
  • Gestão contratual e administrativa: um contrato, uma fatura, nenhuma linha nova na folha.
  • Margem do parceiro, que remunera tudo isso e o risco que ele assume.

Quando o valor mensal parece alto ao lado do salário, geralmente é porque ele carrega itens que, na contratação direta, estão espalhados por outros centros de custo.

O que a contratação direta soma ao salário

Custos visíveis

  • Encargos trabalhistas e provisões, como férias, 13º e FGTS no regime CLT.
  • Benefícios: saúde, alimentação, auxílios, equipamento.
  • Recrutamento: fee de agência ou horas do time de TA, anúncios, ferramentas.

Custos ocultos

  • Tempo de vaga aberta. Cada mês sem a pessoa é um mês de entrega que não aconteceu, ou que foi empurrada para quem já estava sobrecarregado. Posições técnicas costumam demorar mais do que o previsto, e há razões estruturais para isso.
  • Horas do time em entrevistas. Tech leads e engenheiros seniores fazem triagem, entrevista técnica e avaliação de teste. São justamente as pessoas mais caras e mais disputadas do time.
  • Rampa. Semanas até a pessoa entender o domínio, o código e os acordos do time. A rampa existe em qualquer modelo. A diferença é quem absorve o risco se ela não se completa.
  • Turnover e contratação que não deu certo. Se a pessoa sai ou não se encaixa, você paga de novo por tudo: vaga aberta, entrevistas, rampa e, às vezes, custos de desligamento.
  • Rigidez. Reduzir o time quando uma frente termina tem custo financeiro e de clima. Esse custo não aparece no dia da contratação. Aparece no dia em que o plano muda.

Como montar a comparação

Um roteiro em cinco passos, que cabe numa planilha simples:

  1. Defina o horizonte. Compare períodos iguais, por exemplo 12 ou 24 meses. O horizonte muda muito o resultado.
  2. Some o custo mensal de cada modelo. Na alocação, o valor mensal. Na contratação direta, salário mais encargos, provisões e benefícios.
  3. Some os custos de entrada. Na contratação direta, recrutamento e horas do time em entrevistas. Estime as horas e multiplique pelo custo-hora de quem participa.
  4. Conte os meses produtivos. Subtraia do horizonte o tempo até a pessoa começar e desconte a rampa como capacidade parcial. Faça isso para os dois modelos, com os prazos que você realmente observa na sua empresa.
  5. Ajuste pelo risco. Estime a chance de a contratação não dar certo e o custo de recomeçar. Na alocação, confira a regra de reposição do contrato.

Divida o custo total pelo número de meses produtivos. Esse é o número que você compara.

Um exemplo sem números

Imagine uma frente que precisa de um engenheiro sênior por um ano. Na contratação direta, a vaga fica aberta alguns meses, a rampa consome mais algumas semanas, e o ano entrega bem menos de doze meses produtivos. Na alocação, se a pessoa começa em poucas semanas, o mesmo ano entrega mais meses produtivos. O custo por mês produtivo pode ficar acima ou abaixo da contratação direta. O ponto é que agora a comparação é justa.

Quando a contratação direta sai na frente

A conta nem sempre favorece a alocação. A contratação direta tende a ganhar quando:

  • a função é permanente e o horizonte é longo;
  • a posição concentra conhecimento crítico que precisa ficar em casa;
  • seu time de TA tem histórico de fechar esse perfil rápido;
  • o turnover da empresa para essa função é baixo.

Nesses casos, um hunting bem feito para a sua folha costuma ser o melhor investimento.

Erros comuns na comparação

  • Comparar nota com salário. É o erro de origem. Compare custo total com custo total.
  • Ignorar o custo da vaga aberta. A entrega atrasada tem valor, mesmo que não saia do orçamento de RH.
  • Contar horas de entrevista como gratuitas. Elas saem da agenda de quem deveria estar construindo.
  • Usar um horizonte que favorece um lado. Três meses favorece a alocação. Cinco anos favorece a folha própria. Use o horizonte real da necessidade.
  • Esquecer a saída. Quanto custa reduzir o time se a frente for cancelada?

O que entra no valor na Devgo

Na Devgo, a cobrança é mensal por profissional, ou pela capacidade do squad, e cobre seleção, contratação, acompanhamento por um agente Devgo no dia a dia e reposição. O processo começa com um deep dive de 30 minutos e segue com uma shortlist ranqueada por IA e validada pelo time. Isso reduz as horas que o seu time gasta em entrevistas: 82% das indicações são aprovadas pelos clientes.

Do lado do risco, mais de 95% dos profissionais seguem alocados, a reposição por falta de aderência fica em 7% e a substituição é garantida em até 40 dias. São esses os dados que você deve colocar na linha de risco da sua planilha.

Não compare a nota com o salário. Compare quanto custa cada mês de alguém realmente entregando.