Uma migração para SAP S/4HANA mexe em processo de negócio, código, dados e infraestrutura ao mesmo tempo. Por isso o time muda de forma ao longo do projeto. O perfil indispensável no blueprint pode ficar quase ocioso no cutover, e o que mal aparece no começo vira gargalo nos testes.

Montar o time certo começa por entender as fases e o que cada uma pede. A seguir, os perfis, em que fase cada um entra e os sinais de que o time está mal dimensionado.

Antes de tudo: que tipo de migração é

A abordagem muda o peso de cada perfil.

  • Greenfield: implantação nova, com redesenho de processos. Pesa mais no funcional e no arquiteto.
  • Brownfield (conversão de sistema): converte o ECC existente, preservando histórico e customizações. Pesa mais no técnico: ABAP para adequar o código custom e Basis para a conversão.
  • Seletiva: migra parte dos dados e processos. Pesa em arquitetura e migração de dados.

Os perfis e o que cada um faz

Consultores funcionais por módulo

Conhecem o processo de negócio e traduzem a necessidade da empresa em configuração. Os mais comuns:

  • FI/CO: finanças e controladoria. No S/4HANA, trabalha com o Universal Journal, que reúne contabilidade financeira e de custos numa mesma base.
  • MM: compras, estoque e avaliação de materiais.
  • SD: vendas, preços, entregas e faturamento.
  • PP: planejamento e controle de produção, MRP. Em indústria, costuma ser o módulo mais sensível.
  • Outros conforme a operação: EWM (armazém), QM (qualidade), manutenção e a localização fiscal brasileira, que geralmente pede um especialista próprio.

ABAP e ABAP on HANA

O desenvolvedor ABAP adapta e cria o que o padrão não cobre. Em migração, o trabalho pesado é revisar customizações antigas: identificar o código que não funciona mais no S/4HANA, adequar o necessário e descartar o obsoleto. O perfil ABAP on HANA vai além, com CDS views, AMDP e código que leva o processamento para o banco. Se o projeto quer ganhar performance, e não só migrar, é esse perfil que você procura.

Fiori/UI5

Fiori é a experiência de usuário principal do S/4HANA. O desenvolvedor Fiori/UI5 configura apps padrão, cria apps customizados e organiza o launchpad por perfil de usuário. Costuma ser subestimado no planejamento e lembrado só quando os usuários-chave começam a testar.

BTP

A SAP Business Technology Platform é onde vivem extensões fora do núcleo, integrações e automações. O especialista BTP entra quando a estratégia é manter o núcleo limpo (clean core) e levar customizações para fora dele, ou quando há integrações com e-commerce, CRM e logística.

Basis

Cuida de ambientes, instalação, transportes, performance, segurança técnica e da conversão em si. Em projetos brownfield, é um dos perfis mais críticos da virada.

Arquiteto de soluções

Define o desenho da migração, integra as frentes funcional e técnica e arbitra conflitos entre o que o negócio pede e o que o padrão oferece. Precisa estar presente desde o discovery.

Gerente de projeto

Coordena cronograma, riscos, dependências e a relação com as áreas de negócio. Um PM que já passou por um cutover de S/4HANA faz diferença, porque sabe o que costuma dar errado nas últimas semanas.

Quem entra em cada fase

  1. Discovery. Arquiteto, PM, funcionais seniores dos módulos principais e Basis para avaliar o ambiente atual. Aqui se decide a abordagem e se faz o inventário de customizações.
  2. Blueprint. Funcionais em peso, conduzindo workshops de fit-to-standard com as áreas. Arquiteto definindo integrações. ABAP, Fiori e BTP começam a estimar o que será desenvolvido.
  3. Build. Pico do time técnico: ABAP, Fiori/UI5 e BTP. Funcionais configuram e escrevem especificações. A migração de dados começa a ser ensaiada.
  4. Testes. Testes integrados e de aceite com usuários-chave. Funcionais e técnicos corrigem em paralelo. Um coordenador de testes dedicado evita que tudo vire uma planilha sem dono.
  5. Cutover. Basis, migração de dados, PM e arquiteto no centro. Ensaios de virada antes da data real. Funcionais validam os dados migrados.
  6. Hypercare. Funcionais e ABAP de prontidão para os incidentes das primeiras semanas. Depois, o time reduz para o tamanho da sustentação.

Perguntas para dimensionar o time

  • Qual a abordagem: greenfield, brownfield ou seletiva?
  • Quais módulos estão no escopo e quais são críticos para a operação?
  • Quantas customizações existem hoje e quantas devem sobreviver?
  • Existe estratégia de clean core? Onde vão viver as extensões?
  • Quantas integrações com sistemas externos precisam ser refeitas?
  • Os usuários-chave estão liberados para workshops e testes?
  • Quem da casa vai sustentar o sistema depois do hypercare?

Sinais de time mal dimensionado

  • Workshops sem funcional sênior do módulo. As decisões são adiadas ou tomadas por quem não conhece o padrão.
  • Fila de especificações esperando ABAP. O build atrasa enquanto os funcionais aguardam.
  • Fiori lembrado nos testes. Usuários recebem transações antigas ou apps sem ajuste de perfil.
  • Arquiteto que só aparece em crise. Sinal de que ninguém está integrando as frentes.
  • Basis dividido com a operação atual. Na semana do cutover, ele vai ter que escolher.
  • Time inteiro mantido depois do go-live. Hypercare dimensionado como build custa caro sem necessidade.

Armadilhas comuns

  • Contratar tudo na folha. O projeto tem fases, a folha não. Parte do time fica ociosa depois do go-live.
  • Pedir “consultor SAP” sem módulo e senioridade. Um sênior FI/CO e um pleno MM são perfis completamente diferentes. Veja como descrever o perfil técnico.
  • Tratar ECC e S/4HANA como a mesma experiência. Quem só trabalhou em ECC precisa de rampa nas mudanças do S/4HANA.
  • Dividir perfis entre projetos. Um consultor dividido entre dois projetos raramente entrega metade em cada um.

Como a Devgo monta times SAP

A Devgo aloca perfis de S/4HANA, ABAP, Fiori e BTP, além de funcionais, Basis, arquitetos e PMs, sempre full-time e 100% dedicados ao projeto. Como a cobrança é mensal por profissional, dá para montar o time por fase: entrar com funcionais e arquiteto no discovery, crescer o técnico no build e reduzir no hypercare.

A busca parte de uma base com mais de 8 mil talentos, e a shortlist é ranqueada por IA e validada por um time com mais de 12 anos em recrutamento tech. Se um profissional precisar ser trocado no meio do projeto, a substituição é garantida em até 40 dias.

Em S/4HANA, o time certo não é o maior. É o que tem o perfil certo presente na fase certa.